Um dia eu vou montar uma instituição de ensino fantástica, com suas próprias diretrizes e objetivos. Nada de vestibular, nem pressão, nem provas. O conhecimento será estimulado pelo próprio conhecimento. As aulas serão fantásticas, interativas e apaixonadas. Haverá uma vasta área verde e uma biblioteca gigantesca, com todo tipo de literatura. Os alunos não precisarão assistir aulas. Não precisarão nem comparecer: eles irão fazê-lo por vontade própria. O quadro de professores será formado só de amigos meus. A grade curricular poderá ser montada pelos próprios alunos, e a matéria irá andar no seu próprio ritmo. As turmas poderão ser feitas de 3 ou 300 pessoas, e a decisão será formada em consenso. Será uma espécie de Hogwarts do mundo real, só que muito mais legal. Só não me pergunte como vamos lidar com o MEC.
Um dia eu vou ser professor de Filosofia. Gosto da ideia de abrir a cabeça de pessoas em formação, ainda que não tenha pretensões em grande escala. Deixo o mudar do mundo para aqueles mais ambiciosos. Mas espero mudar o mundo de meia dúzia, de 3, de 2, de 1, que seja. Formar seres conscientes de si mesmo, do universo ao redor, da fragilidade mascarada a que somos apresentados sem pedir. Não que isso vá fazer de ninguém mais feliz, muito pelo contrário. Às vezes me pergunto se este é realmente o melhor caminho. Mas é claro que me pergunto. Se não me perguntasse, não aspiraria tal amaldiçoado encargo.
Um dia eu farei teatro. Longe de querer ser ator global, mas Deus sabe como eu preciso aprender a me expressar. Além do mais, deve ser uma experiência super divertida e enriquecedora — é o que todo mundo diz. Tenho mega vontade de fazer aqueles exercícios ridículos e constrangedores que devem ser propostos no curso de teatro. Quero dizer, na verdade eu não sei quanto a isso… mas é assim no curso de teatro que eu materializo na minha cabeça, pelo menos. Talvez eu acabe descobrindo que não é nada do jeito que eu achava. Mas aí é só partir para montar uma instituição de teatro fantástica.
Um dia eu serei vocalista de uma banda de metal. Melódico. Mas sem linhas de guitarra excessivamente bonitinhas ou enjoadas de tão repetitivas, é só porque minha voz não é boa ou agressiva o suficiente para um estilo mais mau encarado. Se bem que também não sou tenor, o que traria uma série de complicações na hora de fazer os covers de Helloween ou Angra. Ah, dane-se, teremos só músicas próprias. Músicas próprias com arranjos super complexos e letras tão fantásticas quanto o poema do post abaixo. E o nosso terceiro álbum será gravado com uma orquestra, porque a essa altura já estaremos podres de ricos e famosos. Principalmente no Japão, porque ver uma platéia de nipônicos batendo cabeça deve ser uma experiência hilária. E nosso quarto álbum, com influências brasileiras (batidas de samba e funk com guitarras distorcidas seriam o máximo!), fará tanto sucesso que na turnê de divulgação dele seremos headliners do Wacken.
Um dia eu terei minha própria editora. Ela cobrirá cultura em vários âmbitos. Vai ter uma revista de música, que será uma mistura de Rolling Stone com Bravo!; uma de cinema, que vai ser licenciada do Omelete com membros da SET na produção; uma de cultura geral, com altas influências da Super (nessa eu nem sei o que faria de diferente, então ou eu copiaria na cara dura mesmo ou compraria a Abril \o/) e três de games: Wii Brasil, Continue (a parte mais difícil vai ser convencer o Fabio Bracht, mesmo) e PLAY BR (só porque é um nome excepcional para um veículo que cobre a marca PlayStation que o pessoal do PS3-Brasil não quis usar).
Um dia eu vou ter um iPhone. E um PlayStation 3, um Xbox 360 (só se for com Natal), uma TV LCD de 42″, um Mac, um móvel gigantesco cheio de livros, um outro móvel gigantesco cheio de CDs, um DSi, dezenas de tabuleiros de xadrez dos mais excêntricos, um quarto de 25 metros quadrados, um professor particular de xadrez para eu poder ganhar pelo menos uma partida em meus tabuleiros excêntricos, uma escova de dentes enxaguante, um barbeiro particular, uma banca de jornal, uma câmera fotográfica com interface amigável, uma mesa de tênis… de mesa, um guarda roupa enorme só de camisas nerds, um PSP Go, um iPod shuffle de cada cor para combinar com as roupas nerds e uma sala de cinema particular. E um dia eu vou ter tamanho desprendimento consumista que vou parar de desejar esse tipo de coisas.
Um dia eu vou participar de uma banda cover de Legião Urbana. Será, claro, um projeto paralelo ao da banda de metal melódico. Vamos tocar Faroeste Caboclo, Índios, Meninos e Meninas, Vento no Litoral, Será, Geração Coca-Cola e muitas outras. Se pá, a banda pode tocar algumas coisas a mais, como Teatro Mágico e Toquinho. Teremos violino, flauta e guitarra distorcida em nossos arranjos, para deixar as músicas ainda mais intensas. Essa banda não será um fenômeno: tocaremos em barzinhas e lugares íntimos para surpreender desavisados.
Um dia eu saberei tocar guitarra. Ou orgão, o que é algo meio inconcebível até no mundo dos planos inverossímeis. Também seria bacana ser maestro, mas rumores correm dizendo que é preciso ter uma noção básica de cada grupo de instrumentos, algo para o qual eu não teria a menor paciência. Flauta transversal é bacana, teclado é melhor ainda e piano clássico, então, é sublime.
Um dia eu vou ter um blog bacana. Ah, se vou.