Locadoras 2.0: A volta das locadoras de games?

Agosto 15, 2009 - Leave a Response

Publicado originalmente no Continue em 6 de fevereiro de 2008.

Houve uma época em que tudo era mais simples. Os videogames tinham apenas duas dimensões, ver Mario e Sonic dividindo um jogo era algo inconcebível e as locadoras de jogos eram mania entre a juventude. Mais do que simples mania, eram quase uma necessidade — afinal, videogames sempre foram artigo de luxo aqui no Brasil. Não que fosse algo ruim: além de ser melhor do que os métodos encontrados hoje em dia, as locadoras serviam como ponto de encontro entre jogadores e promoviam a socialização entre os gamers.

Mas os tempos mudaram. Hoje em dia, os jogos estão se tornando mais bonitos que a própria realidade, Mario e Sonic não só estrelam um título juntos, mas também caem de porrada um no outro e o máximo de socialização entre jogadores que você vai ouvir falar é em fóruns da internet ou em multiplayers com voice chat. E com isso as pobres locadoras foram de desintegrando uma a uma…

Mas é possível que uma nova era tenha chegado para elas.

Que tal?

No final do ano passado instalou-se aqui no Brasil um novo formato de locação de jogos eletrônicos. Um formato já popularizado e estabelecido nos EUA pela locadora GameFly. Contando com várias opções disponíveis inicialmente na cidade de São Paulo, a chamada (por eu mesmo) “locadora 2.0″ promete trazer inovações a um mercado bastante enfraquecido, que, na era dos chips de desbloqueio e da internet, já não chama mais a atenção do consumidor. E entre seus principais trunfos está a integração com a rede mundial de computadores (sic).

“Utilizar a internet e suas ferramentas para proporcionar o máximo conforto e comodidade para nossos clientes”. Esta é uma das missões da Gamemcasa, uma das pioneiras com o novo conceito de “locação virtual”, como eles mesmos definem. Funciona assim: o cliente escolhe um dos planos disponíveis, paga uma mensalidade de valor fixo, e pode alugar quantos jogos quiser dentro da limitação do seu plano (seja por consoles, datas ou número de entregas). Só que ao invés de você ter que ir até o jogo, ele vai até você — através do serviço de entrega das locadoras.

“Quando você ‘zerar’, se cansar ou simplesmente não gostar de um jogo, apenas solicite a troca do mesmo em nosso site e, então, nós lhe enviaremos outro game da sua lista. Nosso entregador irá até a sua casa recolher o game que você deseja devolver, simultaneamente com a entrega do seguinte”. É também assim que funciona GameX, outra locadora que aposta no novo modelo de entrega. O número de vezes que você pode solicitar a mudança é que faz diferença na hora de escolher os planos, que também variam de preço de acordo com as plataformas.

Opção de escolha, aliás, é o que não falta. Em todas as locadoras, é possível escolher de acordo com o tempo e o número de jogos que você pretende jogar. E algumas ainda possuem um período de experimentação gratuito, uma boa pedida para quem ainda tem dúvidas sobre o serviço. “Estaremos sempre disponibilizando promoções para os seus serviços e oportunamente poderemos oferecer períodos de experimentação gratuitos aos gamers que desejarem conhecer nosso sistema” é o que consta no site da EasyPlay, que completa a trinca de concorrentes que aportaram em terras tupiniquins no mesmo período.

Tudo soa muito bem no papel, mas será que este novo modo de locação traz mesmo alguma vantagem aos games? A GameX apresenta seus argumentos. “O modelo tradicional de locação de games representava uma opção inviável para os jogadores, já que a nova geração oferece roteiros brilhantes e extensos, que são idealizados para serem explorados por dias e dias, o que tornava a locação com diárias muito cara”.

E se o novo modelo de locação é bastante ousado, a concorrência é um bom sinal – já que cada uma das novas lojas terá que se esforçar para não só iniciar este novo segmento, mas oferecer um serviço cada vez mais eficiente. Só resta aos jogadores descobrir qual dos serviços vale mais a pena: quais serão os melhores planos? Será que a novidade veio pra ficar? Qual é a loja que mais combina com você?

Foi para sanar suas dúvidas que entramos em contato com as três locadoras citadas. Nos próximos dias, publicaremos entrevistas com pelo menos duas delas (até a publicação deste post, a GameX não tinha respondido) para situar o leitor do Continue e descobrir qual é a deles.

Entrevista com a EasyPlay: “Nosso público alvo é o gamer, seja ele hardcore ou casual”

Entrevista com Gamemcasa: “Temos o maior acervo”

Entrevista com Game X: “Podemos resgatar pessoas que utilizam jogos piratas”

Resenha: New Play Control! Pikmin

Agosto 14, 2009 - Leave a Response

Publicado originalmente no site Wii Brasil em 20 de abril de 2009.

Fruto da mente criadora de verdadeiras obras-primas da jogabilidade como Super Mario Bros. e The Legend of ZeldaPikmin não poderia ser nada além de genial. É um jogo imprescindível, não só pelo sopro de originalidade que muito faltou à Nintendo no desenrolar da geração passada, mas também por ser uma das últimas oportunidades em que pudemos apreciar o trabalho da equipe de Miyamoto ainda voltada aos entusiastas de videogame, sem muitas concessões em prol da acessibilidade ou do mais fácil entendimento.

Não que Pikmin seja um jogo demasiadamente complexo. Muito pelo contrário: suas mecânicas primam pela simplicidade, algo que não se vê todo dia em games de estratégia. Saem as diferentes classes, entram bichinhos floridos diferenciados apenas pelas três cores primárias;  e o único “herói” do jogo é o raquítico Olimar, que sem seu exército não vai muito longe. Felizmente, isso não torna a jornada em si fácil, mas transfere o desafio para os lugares que realmente fazem um grande jogo. Você não é desafiado pela dificuldade de entender a interface ou memorizar um acervo enciclopédico de personagens e construções, mas sim lidando com o inteligentíssimo design de fases, o apressado gerenciamento de tarefas, a fantástica aplicação de conceitos originais, e assim por diante.

Quanto ao conteúdo, a versão lançada para o Wii é a mesma de oito anos atrás, acrescida de algumas pequenas melhorias tecnológicas (agora é compatível com TVs widescreen) e, por isso mesmo, o jogo não poderia ser menos genial. Mas as mudanças nos controles, que agora ficam à cargo do Wii Remote e do nunchuck, são verdadeiramente significativas, e dão um quê de novidade e intuitividade ao jogo.

Vamos logo à pergunta de um milhão de dólares: é melhor ou pior? Melhor, na maior parte do tempo. O mapeamento de botões pode ser meio confuso para quem estava acostumado a jogar no GameCube, mas nada que não seja consertado em alguns minutos de jogatina. O uso do pointer do Remote representa uma melhoria radical – à ponto de fazer de algumas passagens do jogo mais fáceis do que na versão original, onde o direcionamento dos Pikmins era feito pela imprecisa alavanca C. E a possibilidade de usar o Wii Remote para o controle “à longo alcance” do seu pequeno exército torna o trabalho de Olimar consideravelmente mais fácil e até menos doloroso, já que agora o pobre coitado não precisa ficar tão perto quando acontece um ataque ao inimigo.

A única reclamação seria quanto ao direcionamento dos Pikmin ao redor de Olimar, que agora é feito segurando o direcional digital para baixo e apontando para a direção desejada, tarefa que não é das mais intuitivas. Não que isso tire o mérito do novo esquema de controles, que definitivamente tem bastante a adicionar à franquia.

O mais importante é: Pikmin vale a pena ser jogado. É simplesmente imprescindível na coleção de qualquer fã de videogames que se preze e mais uma amostra da diferenciada abordagem da Nintendo quanto a qualquer gênero em que a empresa decida se aventurar. Se você gosta de jogos de estratégia, compre. Se não gosta, compre também: os motivos que te levaram a virar a cara para o gênero provavelmente não estão mais aqui. Também não há necessidade de se preocupar com a idade do jogo: embora algumas texturas decepcionem aqui e ali, a experiência continua linda mesmo se comparada com os títulos mais recentes do Wii.

Por outro lado, se você já jogou Pikmin de cabo a rabo no GameCube, talvez a versão New Play Control! seja passável. Neste caso, diminua a nota abaixo para 70%, pois o novo investimento só vale a pena se estiver cansado da mesmice de jogos casuais que impera na biblioteca do console. Ainda assim, mesmo com a sensação de deja vù, uma volta ao planeta dos Pikmin não deve decepcioná-lo.

Planos

Junho 6, 2009 - Leave a Response

Um dia eu vou montar uma instituição de ensino fantástica, com suas próprias diretrizes e objetivos. Nada de vestibular, nem pressão, nem provas. O conhecimento será estimulado pelo próprio conhecimento. As aulas serão fantásticas, interativas e apaixonadas. Haverá uma vasta área verde e uma biblioteca gigantesca, com todo tipo de literatura. Os alunos não precisarão assistir aulas. Não precisarão nem comparecer: eles irão fazê-lo por vontade própria. O quadro de professores será formado só de amigos meus. A grade curricular poderá ser montada pelos próprios alunos, e a matéria irá andar no seu próprio ritmo. As turmas poderão ser feitas de 3 ou 300 pessoas, e a decisão será formada em consenso. Será uma espécie de Hogwarts do mundo real, só que muito mais legal. Só não me pergunte como vamos lidar com o MEC.

Um dia eu vou ser professor de Filosofia. Gosto da ideia de abrir a cabeça de pessoas em formação, ainda que não tenha pretensões em grande escala. Deixo o mudar do mundo para aqueles mais ambiciosos. Mas espero mudar o mundo de meia dúzia, de 3, de 2, de 1, que seja. Formar seres conscientes de si mesmo, do universo ao redor, da fragilidade mascarada  a que somos apresentados sem pedir. Não que isso vá fazer de ninguém mais feliz, muito pelo contrário. Às vezes me pergunto se este é realmente o melhor caminho. Mas é claro que me pergunto. Se não me perguntasse, não aspiraria tal amaldiçoado encargo.

Um dia eu farei teatro. Longe de querer ser ator global, mas Deus sabe como eu preciso aprender a me expressar. Além do mais, deve ser uma experiência super divertida e enriquecedora — é o que todo mundo diz. Tenho mega vontade de fazer aqueles exercícios ridículos e constrangedores que devem ser propostos no curso de teatro. Quero dizer, na verdade eu não sei quanto a isso… mas é assim no curso de teatro que eu materializo na minha cabeça, pelo menos. Talvez eu acabe descobrindo que não é nada do jeito que eu achava. Mas aí é só partir para montar uma instituição de teatro fantástica.

Um dia eu serei vocalista de uma banda de metal. Melódico. Mas sem linhas de guitarra excessivamente bonitinhas ou enjoadas de tão repetitivas, é só porque minha voz não é boa ou agressiva o suficiente para um estilo mais mau encarado. Se bem que também não sou tenor, o que traria uma série de complicações na hora de fazer os covers de Helloween ou Angra. Ah, dane-se, teremos só músicas próprias. Músicas próprias com arranjos super complexos e letras tão fantásticas quanto o poema do post abaixo. E o nosso terceiro álbum será gravado com uma orquestra, porque a essa altura já estaremos podres de ricos e famosos. Principalmente no Japão, porque ver uma platéia de nipônicos batendo cabeça deve ser uma experiência hilária. E nosso quarto álbum, com influências brasileiras (batidas de samba e funk com guitarras distorcidas seriam o máximo!), fará tanto sucesso que na turnê de divulgação dele seremos headliners do Wacken.

Um dia eu terei minha própria editora. Ela cobrirá cultura em vários âmbitos. Vai ter uma revista de música, que será uma mistura de Rolling Stone com Bravo!; uma de cinema, que vai ser licenciada do Omelete com membros da SET na produção; uma de cultura geral, com altas influências da Super (nessa eu nem sei o que faria de diferente, então ou eu copiaria na cara dura mesmo ou compraria a Abril \o/) e três de games: Wii Brasil, Continue (a parte mais difícil vai ser convencer o Fabio Bracht, mesmo) e PLAY BR (só porque é um nome excepcional para um veículo que cobre a marca PlayStation que o pessoal do PS3-Brasil não quis usar).

Um dia eu vou ter um iPhone. E um PlayStation 3, um Xbox 360 (só se for com Natal), uma TV LCD de 42″, um Mac, um móvel gigantesco cheio de livros, um outro móvel gigantesco cheio de CDs, um DSi, dezenas de tabuleiros de xadrez dos mais excêntricos, um quarto de 25 metros quadrados, um professor particular de xadrez para eu poder ganhar pelo menos uma partida em meus tabuleiros excêntricos, uma escova de dentes enxaguante, um barbeiro particular, uma banca de jornal, uma câmera fotográfica com interface amigável, uma mesa de tênis… de mesa, um guarda roupa enorme só de camisas nerds, um PSP Go, um iPod shuffle de cada cor para combinar com as roupas nerds e uma sala de cinema particular. E um dia eu vou ter tamanho desprendimento consumista que vou parar de desejar esse tipo de coisas.

Um dia eu vou participar de uma banda cover de Legião Urbana. Será, claro, um projeto paralelo ao da banda de metal melódico. Vamos tocar Faroeste Caboclo, Índios, Meninos e Meninas, Vento no Litoral, Será, Geração Coca-Cola e muitas outras. Se pá, a banda pode tocar algumas coisas a mais, como Teatro Mágico e Toquinho. Teremos violino, flauta e guitarra distorcida em nossos arranjos, para deixar as músicas ainda mais intensas. Essa banda não será um fenômeno: tocaremos em barzinhas e lugares íntimos para surpreender desavisados.

Um dia eu saberei tocar guitarra. Ou orgão, o que é algo meio inconcebível até no mundo dos planos inverossímeis. Também seria bacana ser maestro, mas rumores correm dizendo que é preciso ter uma noção básica de cada grupo de instrumentos, algo para o qual eu não teria a menor paciência. Flauta transversal é bacana, teclado é melhor ainda e piano clássico, então, é sublime.

Um dia eu vou ter um blog bacana. Ah, se vou.